sexta-feira, 12 de novembro de 2010

colonização da África





Três obras escolhidas pelo GUIA mostram consequências da exploração europeia na África. O filme A Batalha de Argel (1966), misto de documentário e ficção, retrata o processo de independência da Argélia, país do norte africano, colonizado pela França entre 1830 e 1962. Diamante de Sangue (2006), por sua vez, enfoca as contradições de Serra Leoa, país rico em diamantes, mas que sofre com conflitos internos e o uso de crianças-soldado. Já o livro Coração das Trevas (1902), escrito por Joseph Conrad, aborda o domínio belga no Congo.

SAIBA MAIS: África é o berço da inteligência humana (AVENTURAS NA HISTÓRIA)

CONTEXTO
A primeira fase da colonização da África relaciona-se à expansão ultramarina da Europa nos séculos 15 e 16. Buscando novos mercados e rotas alternativas para o Oriente, as potências europeias dominavam povos, criavam colônias e expandiam suas estruturas de poder.

Até o início do século 19, os redutos europeus na África limitavam-se aos litorais de Angola, Moçambique e Guiné, e ao Cabo – antiga colônia de protestantes holandeses, conhecidos como “bôeres”. A dominação intensificou-se com a expansão do capitalismo industrial durante o próprio século 19. Fronteiras foram estabelecidas de maneira arbitrária, ignorando a multiplicidade cultural preexistente no continente e contribuindo para criar os conflitos travados até hoje entre tribos africanas rivais.

FILME: A BATALHA DE ARGEL (Argélia e Itália, 1966)
Dirigido pelo italiano Gillo Pontecorvo (1919 – 2006), o filme apresenta momentos decisivos da guerra pela independência da Argélia (1954 – 1962), marco no processo de libertação das colônias africanas. Enfocando o período entre 1954 e 1957, o longa-metragem mostra como agiam os dois lados do conflito: o exército francês recorria à tortura e à execução dos inimigos e a FLN (Frente de Libertação Nacional) usava técnicas de guerrilha e de terrorismo.

A pretexto de reprimir a ação de piratas argelinos que atacavam navios e portos no Mediterrâneo, a França iniciou a conquista da Argélia em 1830 e a completou em 1857. Até então, o país africano era uma possessão otomana, governada por uma elite turca e árabe.

Na prática, dominar a Argélia assegurou vultosos lucros aos grupos privados franceses. No plano político, visava recuperar o prestígio internacional da França, abalado pelas derrotas napoleônicas.

SAIBA MAIS: Argélia x França: relações explosivas (AVENTURAS NA HISTÓRIA)

FILME: DIAMANTE DE SANGUE (EUA, 2006)
Dirigido pelo americano Edward Zwick, o filme expõe as feridas de Serra Leoa. A vila onde vive o pescador Solomon Vandy é atacada pela FUR (Frente Unida Revolucionária) e ele se desencontra de sua família. Enviado pelos terroristas para uma mina de diamantes, ele encontra uma pedra rara e tenta escondê-la para si. Mais tarde, Vandy conhece o mercenário Danny Archer, interpretado por Leonardo DiCaprio, que lhe oferece ajuda em troca da pedra.

Colônia britânica desde o século 17, Serra Leoa conquistou a independência em 1961, mas continuou sofrendo interferências de poderosas companhias europeias, incentivadoras dos conflitos no país. Durante a guerra civil de 1999 (pano de fundo do filme), os rebeldes da FUR recebiam armas em troca das pedras pedras preciosas extraídas ilegalmente das jazidas do país. Um dos resultados do conflito foi a criação de um exército mirim, formado por crianças obrigadas a cometer assassinatos.

SAIBA MAIS: Diamantes, lama e sangue (SUPERINTERESSANTE)

LIVRO: CORAÇÃO DAS TREVAS (170 páginas, R$ 12)
A desumanização e violência impostas pelo colonialismo são temas tratados neste livro de Joseph Conrad, publicado em 1902. O leitor é levado aos meandros da selva africana com o longo relato do marinheiro Charlie Marlow sobre o explorador e comprador de marfim, sr. Kurtz, que atuava na região do Congo.

O período destacado pela obra reflete a situação do vasto território sob domínio pessoal do rei Leopoldo II, da Bélgica. Por conta de sua contemporaneidade, a narrativa de Conrad foi desdobrada em linguagem cinematográfica no filme Apocalypse Now!, de Francis

O Tratado de Tordesilhas

O Tratado de Tordesilhas foi desrespeitado não porque a ação portuguesa era "super valente" na América, capaz de bater de frente com os espanhóis, mas foi um avanço à Oeste da figura do mameluco (branco+ameríndio), já acostumado a transitar pelo meio Oeste brasileiro. Neste aspecto, a História de Portugal se fundiu com a do Brasil e dividimos o triunfo do Tratado de Madrid (1750) em conjunto. Os portuguese devem muito também aos bandeirantes.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Justiça


Justiça


Escultura A Justiça, de Alfredo Ceschiatti, em frente ao Supremo Tribunal Federal em Brasília, Brasil. Segue a tradição de representá-la com os olhos vendados, para demonstrar a sua imparcialidade, e a espada, símbolo da força de que dispõe para impor o direito. Algumas representações da Justiça possuem também uma balança, que representa a ponderação dos interesses das partes em litígio.
O termo justiça (do latim iustitia, por via semi-erudita), de maneira simples, diz respeito à igualdade de todos os cidadãos. É o principio básico de um acordo que objetiva manter a ordem social através da preservação dos direitos em sua forma legal (constitucionalidade das leis) ou na sua aplicação a casos específicos (litígio).
Sua ordem máxima, representada em Roma por uma estátua, com olhos vendados, visa seus valores máximos onde "todos são iguais perante a lei" e "todos têm iguais garantias legais", ou ainda, "todos têm iguais direitos". A justiça deve buscar a igualdade entre os cidadãos.
O Poder Judiciário no Estado moderno tem a tarefa da aplicação das leis promulgadas pelo Poder Legislativo. É boa doutrina democrática manter independentes as decisões legislativas das decisões judiciais, e vice-versa, como uma das formas de evitar o despotismo.
Segundo Aristóteles, o termo justiça denota, ao mesmo tempo, legalidade e igualdade. Assim, justo é tanto aquele que cumpre a lei (justiça em sentido estrito) quanto aquele que realiza a igualdade (justiça em sentido universal).
A justiça implica, também, em alteridade. Uma vez que justiça equivale a igualdade, e que igualdade é um conceito relacional (ou seja, diferentemente da liberdade, a igualdade sempre refere-se a um outro, como podemos constatar da falta de sentido na frase "João é igual" se comparada à frase "João é livre"), é impossível, segundo Aristóteles e Santo Tomás de Aquino praticar uma injustiça contra si mesmo. Apenas em sentido metafórico poderíamos falar em injustiça contra si, mas, nesse caso, o termo injustiça pode mais adequadamente ser substituído por um outro vício do caráter.
Justiça também é uma das quatro virtudes cardinais, e ela, segundo a doutrina da Igreja Católica, consiste "na constante e firme vontade de dar aos outros o que lhes é devido" (CCIC, n. 381).


Segurança Publica

Segurança Publica

A Segurança Pública não pode ser tratada apenas como medidas de vigilância e repressiva, mas como um sistema integrado e otimizado envolvendo instrumento de prevenção, coação, justiça, defesa dos direitos, saúde e social. O processo de segurança pública se inicia pela prevenção e finda na reparação do dano, no tratamento das causas e na reinclusão na sociedade do autor do ilícito.
Assim, segurança pública é um processo (ou seja, uma sequência contínua de fatos ou operações que apresentam certa unidade ou que se reproduzem com certa regularidade), que compartilha uma visão focada em componentes preventivos, repressivos, judiciais, saúde e sociais. É um processo sistêmico, pela necessidade da integração de um conjunto de conhecimentos e ferramentas estatais que devem interagir a mesma visão, compromissos e objetivos. Deve ser também otimizado, pois dependem de decisões rápidas, medidas saneadoras e resultados imediatos.
Sendo a ordem pública um estado de serenidade, apaziguamento e tranqüilidade pública, em consonância com as leis, os preceitos e os costumes que regulam a convivência em sociedade, a preservação deste direito do cidadão só será amplo se o conceito de segurança pública for aplicado.

Positivismo

Positivismo   é um conceito utópico que possui distintos significados, englobando tanto perspectivas filosóficas e científicas do século XIX quanto outras do século XX. Desde o seu início, com Augusto Comte (1798-1857) na primeira metade do século XIX, até o presente século XXI, o sentido da palavra mudou radicalmente, incorporando diferentes sentidos, muitos deles opostos ou contraditórios entre si. Nesse sentido, há correntes de outras disciplinas que se consideram "positivistas" sem guardar nenhuma relação com a obra de Comte. Exemplos paradigmáticos disso são o Positivismo Jurídico, do austríaco Hans Kelsen, e o Positivismo Lógico (ou Círculo de Viena), de Rudolph Carnap, Otto Neurath e seus associados.
Para Comte, o Positivismo é uma doutrina filosófica, sociológica e política. Surgiu como desenvolvimento sociológico do Iluminismo, das crises social e moral do fim da Idade Média e do nascimento da sociedade industrial - processos que tiveram como grande marco a Revolução Francesa (1789-1799). Em linhas gerais, ele propõe à existência humana valores completamente humanos, afastando radicalmente a teologia e a metafísica (embora incorporando-as em uma filosofia da história). Assim, o Positivismo associa uma interpretação das ciências e uma classificação do conhecimento a uma ética humana radical, desenvolvida na segunda fase da carreira de Comte.


Método do Positivismo de Augusto Comte

O método geral do positivismo de Auguste Comte consiste na observação dos fenômenos, opondo-se ao racionalismo e ao idealismo, através da promoção do primado da experiência sensível, única capaz de produzir a partir dos dados concretos (positivos) a verdadeira ciência, sem qualquer atributo teológico ou metafísico, subordinando a imaginação à observação, tomando como base apenas o mundo físico ou material. O Positivismo nega à ciência qualquer possibilidade de investigar a causa dos fenômenos naturais e sociais, considerando este tipo de pesquisa inútil e inacessível, voltando-se para a descoberta e o estudo das leis (relações constantes entre os fenômenos observáveis). Em sua obra Apelo aos conservadores (1855), Comte definiu a palavra "positivo" com sete acepções: real, útil, certo, preciso, relativo, orgânico e simpático.
O Positivismo defende a ideia de que o conhecimento científico é a única forma de conhecimento verdadeiro. Assim sendo, desconsideram-se todas as outras formas do conhecimento humano que não possam ser comprovadas cientificamente. Tudo aquilo que não puder ser provado pela ciência é considerado como pertencente ao domínio teológico-metafísico caracterizado por crendices e vãs superstições. Para os Positivistas o progresso da humanidade depende única e exclusivamente dos avanços científicos, único meio capaz de transformar a sociedade e o planeta Terra no paraíso que as gerações anteriores colocavam no mundo além-túmulo.
O Positivismo é uma reação radical ao Transcendentalismo idealista alemão e ao Romantismo, no qual os afetos das individuais e coletivos e a subjetividade são completamente ignoradas, limitando a experiência humana ao mundo sensível e ao conhecimento aos fatos observáveis. Substitui-se a Teologia e a Metafísica pelo Culto à Ciência, o Mundo Espiritual pelo Mundo Humano, o Espírito pela Matéria.
A ideia-chave do Positivismo Comtiano é a Lei dos Três Estados, de acordo com a qual o homem passou e passa por três estágios em suas concepções, isto é, na forma de conceber as suas ideias e a realidade:
  1. Teológico: o ser humano explica a realidade apelando para entidades supranaturais (os "deuses"), buscando responder a questões como "de onde viemos?" e "para onde vamos?"; além disso, busca-se o absoluto;
  2. Metafísico: é uma espécie de meio-termo entre a teologia e a positividade. No lugar dos deuses há entidades abstratas para explicar a realidade: "o Éter", "o Povo", "o Mercado financeiro", etc. Continua-se a procurar responder a questões como "de onde viemos?" e "para onde vamos?" e procurando o absoluto;
  3. Positivo: etapa final e definitiva, não se busca mais o "porquê" das coisas, mas sim o "como", através da descoberta e do estudo das leis naturais, ou seja, relações constantes de sucessão ou de coexistência. A imaginação subordina-se à observação e busca-se apenas pelo observável e concreto

 

Política e governo da África do Sul

África do Sul
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Este artigo é parte da série:

Política e governo da
África do Sul     
















 


 

 
   governo sul-africano funciona segundo um sistema parlamentar, se bem que o Presidente da África do Sul seja ao mesmo tempo chefe de estado e chefe de governo. O presidente é eleito numa sessão conjunta do parlamento bicameral, que consiste de uma Assembleia Nacional (National Assembly), ou câmara baixa, e um Conselho Nacional de Províncias (National Council of Provinces, NCoP), ou câmara alta. A Assembleia Nacional tem 400 membros, eleitos em representação proporcional. O Conselho Nacional de Províncias, que substituiu o senado em 1997, é composto por 90 membros representando cada uma das nove províncias da África do Sul, além das grandes cidades.
Cada província da África do Sul tem uma Legislatura Provincial unicameral e um Conselho Executivo liderado por um primeiro-ministro (premier).
Todos os artigos da constituição permanente anunciada em maio de 1996 passaram a vigorar em 30 de Junho de 1997.

doença em ÁFRICA

MaláriaThis is a featured page

1. DEFINIÇÃO FIG.1- Anopheles

Doença infecciosa mortal, causada por um protozoário (parasita) unicelular, do grupo Plasmodium, principalmente das espécies vivax e falciparum. Esta doença é transmitida aos humanos, por meio de uma picada de fêmea de mosquitos do género Anopheles, que injectam o parasita Plasmodium, que se dirige directamente ao fígado e seguidamente à corrente sanguínea aniquilando os glóbulos vermelhos tornando as pessoas anémicas. Outras formas de transmissão da doença, será por meio de transfusões de sangue ou até mesmo partilha de seringas infectadas com o Plasmodium.

2. ORIGEM

Malária proveio da expressão italiana “ mau Aire”, que significa “ mau ar”, visto que antigamente se acreditava que a doença era causada pelas emanações e miasmas dos pântanos, principalmente africanos.

3. TRANSMISSÃO

A malária é transmitida através de uma picada de um mosquito infectado, que suga o sangue necessário para o seu desenvolvimento ovular. A transmissão mais comum é no interior das habitações, em áreas rurais e nas periferias urbanas. A transmissão da malária pode dividir-se em:

3.1 Transmissão natural

Malária - Doenças em África

É aquela em que o Plasmodium é introduzido no organismo humano por meio da picada de uma fêmea de Anopheles infectada, que suga o sangue humano necessário para o seu desenvolvimento ovular. Esta é portador de esporozóitos nas suas glândulas salivares que se irão desenvolver quando injectados no organismo humano.

3.2 Transmissão Induzida

Transmissões não naturais onde algum descuido ou erro humano está em causa, são exemplos dessa transmissão:

  • Transfusão de sangue que passam nos testes de parasitemia;
  • Uso compartilhado de agulhas e/ou seringas por usuários drogados;
  • Da gestante para o filho, antes ou durante o parto;
  • Acidentes de trabalho em Hospitais e Laboratórios.

A fêmea Anopheles adquire a malária após 8 -16 dias de picar um ser humano infectado. A partir desse momento está totalmente apta a transmitir a doença através da sua picada que tem um ciclo regular de 2 a 3 dias.

4. CICLO DO PLASMODIUM

As fêmeas Anopheles colocam os seus ovos em colecções hídricas adequadas, tais como: lagos, rios, pântanos, etc., pois todos estes possuem um baixo teor em matéria orgânica. Os ovos colocados são isolados e permanecem à superfície, devido à sua pequena dimensão (0.5mm) e por possuírem flutuadores laterais. Dos ovos surgirão larvas, que se transformarão em pupas e estas por sua vez em adultos. Este desenvolvimento do ovo varia entre 7 a 20 dias . As fêmeas são fecundadas apenas uma vez, mas colocam ovos férteis a cada 2 dias durante toda a sua vida (30 dias). Factores como a temperatura, humidade do ar e luz podem ou não contribuir para este tempo de vida. Uma temperatura de cerca de 25º a 30º, uma humidade de 40º a 50º, e uma baixa luminosidade, são níveis óptimos para a sobrevivência da fêmea, logo as altas temperaturas, as altas humidades em África explica a grande existência desta fêmea. Importante lembrar, é o facto dos mosquitos não transmitirem a malária quando nascem, isto só ocorrerá após alguns dias de se alimentarem do sangue animal ou humano ingerindo o Plasmodium. Após a picada, o mosquito suga o sangue que contem os gametócitos, estes rompem as membranas dos glóbulos vermelhos e tornam-se livres no estômago do Anopheles. O núcleo dos gametócitos divide-se em faixas de cromatina. Os gametócitos femininos sofrem maturação e o seu núcleo move-se para a superfície e o sofre uma pequena elevação. Se houver gâmeta masculino dá-se a fecundação (união nuclear), formando o zigoto. Esta fecundação dá-se num espaço de 20 minutos a 2 horas. O zigoto por meio de movimentos de contracção sobe até ao épitelio do mosquito e é cercado por um cisto (membrana elástica) formando os oócisto que quando maduros rompem e libertam esporozóitos que se espalham por todo o organismo do mosquito. O número de esporozóitos é cerca de 10.000. A maioria dos esporozóitos penetra as glândulas salivares embebendo-se no seu citoplasma. Após picarem um organismo não infectado com o parasita, estes entram nos glóbulos vermelhos e recomeçam o seu ciclo assexuado. Um único Anopheles pode infectar uma ou mais pessoas.

5.CICLO NO HOMEM FIG.2-Malaria no sangue

O ciclo no homem inicia-se quando este é picado pelo mosquito, libertando saliva que funcionará como anticoagulante contendo esporozóitos. Estes dirigem-se à corrente sanguínea e após 30 minutos dirigem-se ao fígado, mais precisamente ás células hepáticas, onde se multiplicam por mitose designando-se então de criptozóites, que continuam o processo de multiplicação por esquizógonia (divisões nucleares sucessivas no qual a membrana será a ultima a dividir), estes originam os merozóitos, que entram directamente nas hemácias (Glóbulos Vermelhos) onde continuam as divisões mitóticas, durante 6 a 8 dias sem induzir malária. As hemácias infectadas saem em períodos regulares de 2 dias provocando então os primeiros sintomas da malária, esta células rompem-se e libertam os merozóitos no plasma e o processo ocorre sequencialmente por todas as células do sistema circulatório. Após o período de reprodução assexuada, alguns desses merozóitos tornam-se gametócitos e se o mesmo ser humano for picado novamente por uma fêmea Anopheles dar-se-á o início de um novo ciclo de transmissão. A fagocitose e produção de anticorpos pelo organismo humano são duas das formas de impedir a multiplicação. O crescimento dos parasitas nos glóbulos vermelhos é acompanhado por perturbações destas, aparecendo então três espécies denominadas Shüffner (Plasmodium vivax), Maurer (Plasmodium falciparum) e Zimann (Plasmodium malarie). Estes grânulos contêm uma grande concentração de antigéneos, que devido a Voller foram identificados através da fluorescência, contribuindo para a descodificação e produção de anticorpos.

6.ESPÉCIES DE MOSQUITOS

Anopheles (Nyssarhynchus) darlingi – Root, 1926 Anopheles (Nyssarhychus) albitarsis – Lynch Arribalzaga, 1878 Anopheles (Nyssarhychus) deaneorum – Rosa Freitas, 1989 Anopheles (Nyssarhychus) aquasalis – Curry, 1932 Anopheles (Kerteszia) cruzii – Dyar& Knab, 1908 Anopheles (Kerteszia) bellator - Dyar& Knab, 1908

7.PLASMODIUM FALCIPARUMFIG.3- Plasmodium Falciparum

O protozoário Plasmodium foi descoberto pelo médico do exército francês Charles Louis Alphonse Laveran.

Existem 4 tipos de malária, sendo entre elas, o Plasmodium falciparum o mais perigoso. Este é classificado por vários grupos de clínicos como “um dos dez microrganismos que maior resistência oferece aos medicamentos.” Esta espécie de protozoário possui genes que lhe permitem modificar a superfície das células infectadas, impedindo a acção dos anticorpos produzidos pelo organismo.

8.SINTOMAS

  • Febre alta (40º);
  • Suores abundantes;
  • Calafrios;
  • Dores de cabeça;
  • Falta de apetite;
  • Náuseas e vómitos;
  • Anemia;
  • Icterícia (coloração amarela na pele e olhos);
  • Cansaço;
  • Dores abdominais e corporais;
  • Diarreia;

Sintomas em fases graves da doença:

  • Insuficiência renal;
  • Ataques epilépticos;
  • Confusão mental.

9.TIPOS DE DOENÇAS

A malária envolve 4 tipos, que diferem entre si, na incidência do parasita a nível do organismo do ser humano, na rapidez do parasita alastrar a doença e na resistência oferecida aos tratamentos. Os tipos são o Plasmodium vivax, Plasmodium Ovale, Plasmodium malarie e Plasmodium falciparum, sendo este ultimo o mais fatal e preocupante, pois existe maioritariamente em África.

10. PREVENÇÃO

FIG. 10.1- Rede mosquiteira

  • Insecticidas potentes e tóxicos;
  • Uso de redes mosquiteiras (à base de deltametrina);
  • Uso de Telas nas janelas e nas portas;
  • Cremes repelentes (DEET);
  • Roupa a cobrir o corpo, evitando assim a picada pois o mosquito não tende a picar mãos e cara;
  • Drenagem de pântanos e águas paradas;
  • Evitar a permanência em ar livre nos horários mais nocturnos.

A vacina da malária não existe embora por vezes possa ser confundida pela vacina contra a febre-amarela. Outras medidas de prevenção envolvem o impedir do desenvolvimento das espécies, chamadas medidas quimioprofilácticas que se baseiam em medicamentos que evitam a multiplicação do Plasmodium. Alguns destes anti-maláricos já se mostraram ineficazes frentes à resistência adquirida pelo protozoário.

10.1 Pontos A Ter Em Causa

  • Tempo de permanência na área malarígena;
  • Tipo de habitação a ser ocupada no local;
  • Recursos médicos na área.

11. TRATAMENTO

Os diferentes tipos de malária são curados de diferentes formas. Os FIG. 11.1- Cloroquinamedicamentos anti-maláricos baseiam-se principalmente em Mefloquina ou Cloroquina. Ambos estes medicamentos são feitos com base na quinina (ou o seu ísomero quinidina), que são extraídos da Cinchona. O primeiro medicamento tem limitações, nomeadamente no que diz respeito à administração a crianças, sendo mesmo contra indicado visto alterar a condução cardíaca e mesmo ataques epilépticos. A Cloroquina não deve mais ser usada, visto o Plasmodium falciparum já oferece resistência a este fármaco. A mistura destes dois fármacos (cocktails) também é utilizada pois os parasitas apenas oferecem resistência a cada um dos fármacos. Ultimamente a artemisinina, extraída de uma planta chinesa, tem dado resultados importantes, pois esta produz radicais livres em contacto com o ferro existente nas hemácias, destruindo o parasita. No entanto o inconveniente desta planta é a sua existência em pequenas quantidades, mas poderá desenvolver-se em África a baixos custos. Este fármaco é o único ao qual o parasita actualmente não oferece resistência. Em suma o tratamento farmacológico da malária baseia-se na susceptibilidade do parasita aos radicais livres e substâncias oxidantes, morrendo este agente com concentração inferiores ás que causariam a morte para as célula Humanas.

12. DIAGNÓSTICO

12.1 Diagnóstico Clínico
O Elemento fundamental do diagnóstico é sempre pensar na possibilidade de possuir a doença. É importante no exame clínico recolher informação sobre a área de residência ou a área onde o indivíduo foi infectado. Alem disso, informação acerca de transfusões de sangue, partilha de seringas e/ou agulhas. Os sintomas também representam uma importante informação para o diagnóstico.

12.2 Diagnóstico Laboratorial
FIG. 12.1- Exemplo de esfregaço
O Diagnóstico 100% correcto da infecção da malária só é possível pela demonstração do parasita, ou de antigenios relacionados no sangue periférico através dos seguintes métodos diagnósticos:

  • Gota espessa: método de baixo custo e de fácil realização, baseia-se na visualização do parasita através de microscopia após coloração com Azul-de-metileno, permitindo a diferenciação.
  • Esfregaço delgado: método seguro que permite a diferenciação específica do parasita, a partir de uma análise morfológica.
  • Testes imunocromatográficos: métodos rápidos, realizados com fitas de nitrocelulose contendem anticorpos contra os antigenios do parasita.

13. EFEITOS GENÉTICOS E IMUNIDADE

Todo o ser humano é susceptível à malária, mesmo aqueles que contraíram diversas vezes, visto a imunidade conferida ao parasita não conter protecção total. A Anemia falciforme é uma doença genética que ocorre em regiões de incidência da malária, no entanto os portadores desta doença oferecem resistência à malária. Outras como Talassémias, a deficiência da enzima na glicose-6-fosfato desidrogenasse, também oferecem resistência ao parasita visto estas mutações conterem mais radicais livres nas hemácias do que o normal, ao qual o parasita é susceptível.

África Negra (colonização, escravidão e independência) Principais países, líderes, movimentos e partidos africanos (*)

África Negra
(colonização, escravidão e independência)
Principais países, líderes, movimentos
e partidos africanos (*)

PaísLíderMovimento/PartidoData da Independência
AngolaAgostinho NetoMovimento p/libertação de Angola (MPLA)1975
África do SulNelson MandelaAfrican National Congress (ANC) 1994
Costa do MarfimPelix Houphouet-BoignyReunião democratica africana 1957
GhanaKwame NkrumahConvention Peopel’s Party 1957
Guiné Sekú Turé Partido Democrático da Guiné (PDG) 1958
MadagascarTsiaranaMovimento democrático da renovação malgache 1960
Malawi Hastings Kamuzu Banda Malawi Congress Party 1961
MoçambiqueSamora MachelFrente de libertação de Moçambique(FRELIMO) 1975
NigériaBenjamin N. AzikiwéNational Concil of Nigeria and Camerun 1960
QuêniaJomo Kenyatta Mau-mau/ Kenya central association 1963
SenegalLeopold SenghorBloque democratique senegalien1948
TanzâniaJulius NyerereTanganica African National Union/Zanzibar1964
ZaireJoseph Kasavubu/Patrice LumumbaMovimento “Abako”1960
ZimbaweRobert MugabeZimbawe African NationalUnion (ZANU)1980


(*) A África independente compõem-se de 48 países

África Negra (colonização, escravidão e independência) Dificuldades africanas

África Negra
(colonização, escravidão e independência)
Dificuldades africanas

Na medida em que em toda a história da África anterior ao domínio europeu, desconhecia-se a existência de estados-nacionais, segundo a concepção clássica (unidade, homogeneidade e delimitação de território), entende-se a enorme dificuldade encontrada pelas elites africanas em constituí-los em seus países. Existiam anteriormente na África, impérios, dinastias governantes, milhares de pequenos chefes e régulos tribais, mas em nenhuma parte encontrou-se estados-nacionais. O que havia era uma intensa atomização política e social, um facciosismo crônico, resultado da existência de uma infinidade de etnias, de tribos, quase todas inimigas entre si, de grupos lingüísticos diferentes (só no Zaire existem mais de 40), e de incontáveis castas profissionais. O fim da Pax Colonialis, seguida da independência, provocou, em muitos casos, o afloramento de antigos ódios tribais, de velha rivalidades despertadas pela proclamação da independência, provocando violentas guerras civis (como as da Nigéria, do Congo e, mais recentemente, as da Angola, Moçambique, Ruanda, Burundi, Serra Leoa e da Libéria).

Essas lutas geraram uma crônica instabilidade em grande parte do Continente que contribuiu para afastar os investimentos necessários ao seu progresso. Hoje a África, com exceção da África do Sul, Nigéria e o Quênia, encontra-se praticamente abandonada pelos interesse internacionais. Os demais parecem ter mergulhado numa interminável guerra tribal, provocando milhões de foragidos (na África estão 50 % dos refugiados do globo) e um número incalculado de mortos e feridos. É certamente a parte do mundo onde mais guerras são travadas. Como um incêndio na floresta, encerra-se a luta numa região para logo em seguida arder uma mais trágica ainda logo adiante.

De certa forma todos os povos pagam pelos seus defeitos culturais. Neste sentido o arraigado tribalismo africano é o grande impedimento para concretizar a formação de um estado-nacional estável. Enquanto as massas negras não conseguirem superar as rivalidades internas dificilmente poderão formar regimes sólidos, íntegros, que superem a dicotomia entre ditadura ou anarquia tribal. A grande geração que conseguiu a independência, homens como K.Nkrumah, Jomo Kenyatta, Agostinho Neto, Samora Machel, Kenneth Kaunda, Julius Nyerere, Leopold Senghor ou Nelson Mandela estão mortos ou envelheceram. Nenhum dos sucessores desses grandes homens, têm conseguido o respeito da população e o carisma necessário para manter seus respectivos países unidos. Em muitos casos eles foram substituídos por chefes dominados por interesses localistas e familiares, de visão estreita, sem terem o sentido de abrangerem o restante dos seus cidadãos. É hora pois dos líderes africanos pararem de jogar pedras sobre o passado colonial e assumirem a responsabilidade pelo destino dos povos que ajudaram a emancipar.

África Negra (colonização, escravidão e independência) Os partidos e movimentos africanos

África Negra
(colonização, escravidão e independência)
Os partidos e movimentos africanos

Apesar da existência de 800 etnias e mais de mil idiomas falados na África, podemos encontrar alguns denominadores comuns entre os partidos e movimentos que lutaram pela descolonização. O primeiro deles é de que todos eles ambicionavam a independência, conquistada tanto pela vertente de radicalismo revolucionário ou através do reformismo moderado, que tanto podia implantar uma republica federativa como uma unitária.

Em geral, os partidos optaram pelo centralismo devido a dificuldade em obter consenso entre tribos rivais. Esse centralismo é geralmente assumido pelo próprio líder da emancipação, (como Nkrumah em Ghana) pelo partido único (ou “partido dominante” como definiu-o Leopold Senghor, do Senegal) ou ainda, por um ditador militar (como Idi Amin Dada em Uganda, ou Sese Seko Mobuto no Zaire). A negritude (movimento encabeçado por Aimé Césaire, um poeta martinicano, e pelo presidente senegalês Leopold Senghor) foi também um ponto em comum, marcadamente entre os países afro-francofônicos, que exaltavam as qualidades metafísicas dos africanos. Finalmente todos manifestavam-se a favor do pan-africanismo como uma aspiração de formar governos “por africanos e para africanos, respeitando as minorias raciais e religiosas”.




África Negra (colonização, escravidão e independência) A descolonização

África Negra
(colonização, escravidão e independência)
A descolonização

 A descolonização tornou-se possível no após-1945 devido a exaustão em que as antigas potências coloniais se encontraram ao terem-se dilacerado em seis anos de guerra mundial, de 1939 a 1945. Algumas delas, como a Holanda, a Bélgica e a França, foram ocupados pelos nazistas, o que acelerou ainda mais a decomposição dos seus impérios no Terceiro Mundo. A guerra também as fragilizou ideologicamente: como podiam elas manter que a guerra contra Hitler era uma luta universal pela liberdade contra a opressão se mantinham em estatuto colonial milhões de asiáticos e africanos?

A Segunda Guerra Mundial se debilitou a mão do opressor colonial, excitou o nacionalismo dos nativos do Terceiro Mundo. Os povos asiáticos e africanos foram assaltados pela impaciência com sua situação jurídica de inferioridade, considerando cada vez mais intolerável o domínio estrangeiro. Os europeus, por outro lado, foram tomados por sentimentos contraditórios de culpa por manterem-nos explorados e sob sua tutela, resultado da influencia das idéias filantrópicas, liberais e socialistas, que remontavam ao século 18. Haviam perdido, depois de terem provocado duas guerras mundiais, toda a superioridade moral que, segundo eles, justificava seu domínio.

Quem por primeiro conseguiu a independência foram os povos da Ásia (começando pela Índia e Paquistão, em 1946). A maré da independência atingiu a África somente em 1956. O primeiro pais do Continente Negro a conseguí-la foi Ghana, em 1957. Em geral podemos separar o processo de descolonização africano em dois tipos. Aquelas regiões que não tinham nenhum produto estratégico (cobre, ouro, diamantes ou petróleo) conseguiram facilmente sua autonomia, obtendo-a por meio da negociação pacífica. E, ao contrário, as que tinham um daqueles produtos, considerados estratégicos pela metrópole, explorados por grandes corporações, a situação foi diferente (caso do petróleo na Argélia e do cobre no Congo belga). Neles os colonialistas resistiram aos movimentos autonomistas, ocorrendo movimentos de guerrilhas para expulsá-lo

olonização, escravidão e independência) A reação dos africanos

África Negra
(colonização, escravidão e independência)
A reação dos africanos

A conquista da África foi entremeada de tenaz resistência nativa. A mais célebre delas foram as Guerras Zulus, travadas no século 19 pelo rei Chaka (que reinou de 1818 a 1828) na África do Sul, contra os ingleses e os colonos brancos boers. Entrementes, os colonizadores começaram a combater as endemias e doenças tropicais que dificultavam a vida dos europeus através do saneamento e da difusão da higiene. A África era temida pelas doenças tropicais: a febre amarela, a malária e a doença do sono, bem como da lepra. O continente, igualmente, ocupado por missões religiosas, tanto católicas como protestantes. Junto com o funcionário colonial, o aventureiro, o fazendeiro, e o garimpeiro branco, afirmou-se lá, em caráter permanente, o padre ou o pastor pregando o evangelho.

Essa ocupação escancarada provocava amargura entre os africanos que se sentiam inferiorizados e impotentes perante a capacidade administrativa, militar e tecnológica, do colonialista europeu. Já na metade do século 19, o afro-americano Edward W. Blyden, que emigrara para a Libéria em 1850, descontente com a perda da auto-estima dos negros, proclamava a existência de uma “personalidade africana” com méritos e valores próprios, contraposta a dos brancos. E, imitando James Monroe, lançou o slogan “África para os africanos!”.

Em 1919 reuniu-se em Paris, o 1º Congresso Pan-africano, organizado pelo intelectual afro-americano W.E.B. Du Bois. Reivindicou ele um Código Internacional que garantisse, na África tropical, o direito dos nativos, bem como um plano gradual que conduzisse à emancipação final das colônias. Conquanto que, para os negros americanos, era solicitado a aplicação dos direitos civis (que só foram finalmente aprovados pelo congresso dos E.U.A. em 1964!).

O último congresso Pan-africano, o 5º, reuniu-se em Manchester, na Inglaterra, em 15-18 de outubro de 1945, tendo a presença de Du Bois, Kwane Nkurmah, futuro emancipador da Ghana, e Jomo Kenyatta, o líder da Quênia. Trataram de aclamar a necessidade da formação de movimentos nacionalistas de massas para obterem a independência da África o mais rápido possível.

África Negra (colonização, escravidão e independência) O Congresso de Berlim

África Negra
(colonização, escravidão e independência)
O Congresso de Berlim

Atendendo ao convite do chanceler do II Reich alemão, Otto von Bismarck, 12 países com interesse na África encontraram-se em Berlim - entre novembro de 1884 a fevereiro de 1885 -, para a realização de um congresso. O objetivo de Bismarck é que os demais reconhecessem a Alemanha como uma potência com interesses em manter certas regiões africanas como protetorados. Além disso acertou-se que o Congo seria propriedade do rei Leopoldo II da Bélgica (responsável indireto por um dos mais terríveis genocídios de africanos), convertido porém em zona franca comercial. Tanto a Alemanha, como a França e a Inglaterra combinaram reconhecimentos mútuos e acertaram os limites das suas respectivas áreas. O congresso de Berlim deu enorme impulso à expansão colonial, sendo complementado posteriormente por acordos bilaterais entre as partes envolvidas, tais como Convênio franco-britânico de 1889-90, e o Tratado anglo-germânico de Heligoland, de 1890. Até 1914 a África encontrou-se inteiramente divida entre os principais países europeus (Inglaterra, França, Espanha, Itália, Bélgica, Portugal e Alemanha). Com a derrota alemã de 1918, e obedecendo ao Tratado de Versalhes de 1919, as antigas colônias alemãs passaram à tutela da Inglaterra e da França. Também, a partir desse tratado, as potências comprometeram-se a administrar seus protetorados de acordo com os interesses dos nativos africanos e não mais com os das companhias metropolitanas. Naturalmente que isso ficou apenas como uma afirmação retórica.

África Negra (colonização, escravidão e independência) A partilha da África

África Negra
(colonização, escravidão e independência)
A partilha da África

A partir do momento que o continente africano não podia mais fornecer escravos, o interesse das potências colônias inclinou-se para a sua ocupação territorial. E isso deu-se por dois motivos, O primeiro deles é que ambicionavam explorar as riquezas africanas, minerais e agrícolas, existentes no hinterland, até então só parcialmente conhecidas. O segundo deveu-se à competição imperialista cada vez maior entre elas, especialmente após a celebração da unificação da Alemanha, ocorrida em 1871. Por vezes chegou-se a ocupar extensas regiões desérticas, como a França o fez no Saara (chamando-a de França equatorial), apenas para não deixa-las para o adversário.

Antes da África ser dominada por funcionários metropolitanos, a região toda havia sido dividida entre várias companhias privadas que tinham concessões de exploração. Assim a Guiné estava entregue a uma companhia escravista francesa. O Congo, por sua vez, era privativo da Companhia para o Comércio e Industria, fundada em 1889, que dividia-o com a companhia Anversoise, de 1892 .O Alto Níger era controlado pela Companhia Real do Níger, dos britânicos. A África Oriental estava dividida entre uma companhia alemã, dirigida por Karl Peters, e uma inglesa, comandada pelo escocês W.Mackinnon. Cecil Rhodes era o chefe da companhia sul-africana que explorou a atual Zâmbia e Zimbawe, enquanto o rei Leopoldo II da Bélgica autorizava a companhia de Katanga a explorar o cobre do Congo belga.

África Negra (colonização, escravidão e independência) A luta pela abolição da escravatura

África Negra
(colonização, escravidão e independência)
A luta pela abolição da escravatura

Um dos capítulos mais apaixonantes, polêmicos e gloriosos, da história moderna foi o que conduziu à abolição do trafico negreiro e a total supressão da escravidão no transcorrer do século 19. A primeira reação contra a escravidão ocorreu no século 18, partindo de uma seita protestante radical, os Quakers. Eles consideravam-na um pecado e não podiam admitir que um cristão tirasse proveito dela. Enviaram, em 1768, ao parlamento de Londres uma solicitação pedindo o fim do tráfico de escravos. Pouco depois, John Wesley, o fundador do movimento metodista, pregou contra a escravidão (Thoughts upon Slavery, 1774) afirmando que preferia ver a Índias Ocidentais (como eram denominadas as colônias antilhanas inglesas) naufragarem do que manter um sistema que “violava a justiça, a misericórdia, a verdade”.

Economistas ilustrados também entraram na luta. Tanto os Fisiocratas franceses como Adam Smith, o pai do capitalismo moderno, (in Wealth os the Nations, 1776) afirmaram que a escravidão era deficitária na medida que empregava uma enorme quantidade de capital humano que produzia muito aquém daquele gerado por homens livres. Viam-na como parte de um sistema de monopólio e privilégio especial, onde um homem desprovido de liberdade não tinha nenhuma oportunidade de garantir a propriedade do que quer que fosse e que seu interesse em trabalhar era o mínimo possível. Assim a escravidão só podia sobreviver pela violência sistemática do amo sobre o cativo. Anterior a ele, nas colônias americanas, Benjamin Franklin foi o primeiro homem moderno a submeter a instituição da escravidão a uma analise contábil, concluindo também que um escravo era muito mais caro do que um trabalhador livre (The Papers of B.Franklin, 1751). Alexis de Tocqueville, o grande pensador liberal francês, que visitou os Estados Unidos, deixou páginas memoráveis no seu A Democracia na América, de 1835, ao fazer a comparação entre os estados escravistas (povoados por brancos indolentes e negros paupérrimos) e aqueles que mantinham o trabalho livre, ativos e industriosos.

No plano filosófico ela foi repudiada na obra de Montesquieu (L’esprit de les Lois, livro. XV,1748), onde afirmou que “a escravidão, por sua natureza, não é boa: não é útil nem ao senhor nem ao escravo: a este porque nada pode fazer de forma virtuosa; aquele porque contrai dos seus escravos toda a sorte de maus hábitos... porque se torna orgulhos, irritável, duro, colérico, voluptuoso e cruel. (...) os escravos são contra o espirito da constituição, só servem para dar aos cidadãos um poder e um luxo que não devem ter.”

Mais radical do que ele foi o pensamento de J.J. Rousseau (in Le Contrat Social, 1762) para quem “os homens haviam nascido livres e iguais” e que a renuncia da liberdade eqüivalia a renúncia da vida. Como a escravidão repousava sempre a força bruta “...os escravos não tinham nenhuma obrigação ou dever para com os seus amos”.

Apesar de Condorcet lamentar que só uns poucos filósofos “atreveram-se de vez enquanto a soltar um grito a favor da humanidade”, a soma das pressões religiosas, econômicas, filosóficas e morais começaram a surtir efeito. O Século das Luzes, como o século 18 foi chamado, terminou por condenar a escravidão como atentatória à dignidade do homem, A Revolução Francesa de 1789 aboliu com a escravidão nas colônias francesas por acreditá-la incompatível com a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Napoleão, porém, mais tarde, restaurou-a. Mas em 1848 ela foi finalmente reafirmada.

Na Inglaterra o abolicionismo encontrou respaldo num grupo militante chamado de “Os Santos” (The Saints), que organizaram, em 1787, sob liderança de William Wilberforce, a Sociedade anti-escravista (Anti-slavery Society). Graças as suas batalhas parlamentares contra os interesses escravistas das cidades portuárias de Liverpool e Bristol, Wilberforce conseguiu fazer aprovar a lei de 1807 que proibia o tráfico negreiro.

Depois de uma série de leis intermediárias, a abolição completa da escravidão nas colônias ingleses ocorreu em agosto de 1834 (Slavery Abolition Act) que libertou 776 mil homens, mulheres e crianças. Nesse ínterim a Inglaterra havia declarado guerra aberta ao tráfico. Nenhum barco negreiro poderia mais singrar os oceanos sem ser vistoriado (Aberdeen Act). Se fosse capturado os escravos deveriam ser devolvidos. Por pressão inglesa, o Brasil finalmente concordou em abolir com o tráfico pela Lei Eusébio de Queirós, em 1850. Mesmo assim continuou recebendo, em desembarques clandestinos, braços contrabandeados, o que gerou sérios atritos com a marinha inglesa.

Na verdade, a razão material primeira da abolição foi a emergência da sociedade industrial, surgida pelos efeitos sócio-econômicos provocados pela introdução da máquina a vapor no processo produtivo.. Essa sociedade, que se expanda a partir do século 18, produzia mercadorias em série para consumo em massa. Uma comunidade de escravos não consome pois não ganha salários. Houve então um conflito estrutural e ideológico entre a crescente e poderosa sociedade industrial, que requeria mercados livres e trabalho assalariado, com a política mercantilista de mercados cativos e mão-de-obra escrava.(*)

(*) Esta abordagem, que afirma ser a escravidão anti-econômica sob prisma moderno, continua gerando polêmica. Historiadores econômicos conservadores norte-americanos, como R.W.Fogel, insistem em afirmar que a escravidão não era incompatível com a industrialização. Apresentando uma série de abordagens pontuais demonstrando a prosperidade de certos setores industrias sulistas.

África Negra (colonização, escravidão e independência) O comércio triangu

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África Negra
(colonização, escravidão e independência)
O comércio triangu


Desta forma inseriram a África Negra no comércio triangular basicamente como fornecedora de mão-de-obra escrava para as colônias americanas e antilhanas. O destino dos barcos negreiros eram os portos da Jamaica, Baamas, Haiti, Saint- Eustatius, Saba, Saint-Martin, Barbuda e Antigua, Guadalupe, Granada, Trinidad & Tobago, Bonaire, Curaçao e Aruba. Das Antilhas partiam outras levas em direção às Carolinas e à Virgínia nos Estados Unidos. Outras dirigiam-se ao Norte e Nordeste do Brasil, à Bahia e ao Rio de Janeiro. Os escravos eram empregados como “carvão humano” nas grandes plantações de açúcar e tabaco que se espalhavam do Leste brasileiro até as colônias do Sul dos Estados Unidos: do Rio de Janeiro até a Virgínia.

Enquanto a Europa importava produtos coloniais, trocava suas manufaturas (armas, pólvora, tecidos, ferros e rum) por mão-de-obra vinda da África. Os escravos eram a moeda com que os europeus pagavam os produtos vindos da América e das Antilhas para não precisar despender os metais preciosos, fundamento de toda a política mercantilista. Tinham pois, sob ponto de vista economico uma dupla função: eram valor de troca (dinheiro) e valor de uso (força de trabalho).

África Negra (colonização, escravidão e independência) O tráfico de escravos

África Negra
(colonização, escravidão e independência)
O tráfico de escravos

Durante os primeiros quatro séculos - do século 15 a metade do 19 - de contato dos navegantes europeus com o Continente Negro, a África foi vista apenas como uma grande reserva de mão-de-obra escrava, a “madeira de ébano” a ser extraída e exportada pelos comerciantes. Traficantes de quase todas as nacionalidades montaram feitorias nas costas da África. As simples incursões piratas que visavam inicialmente atacar de surpresa do litoral e apresar o maior número possível de gente, foi dando lugar a um processo mais elaborado.

Os mercadores europeus, com o crescer da procura por mão-de-obra escrava, motivada pela instalação de colônias agrícolas na América, associaram-se militarmente e financeiramente com sobas e régulos africanos, que viviam nas costas marítimas, dando-lhes armas, pólvora e cavalos para que afirmassem sua autoridade numa extensão a maior possível. Os prisioneiros das guerras tribais eram encarcerados em “barracões”, em armazéns costeiros, onde ficavam a espera da chegada dos navios tumbeiros ou negreiros que os levariam como carga humana pelas rotas transatlânticas.

Os principais pontos de abastecimento de escravos, pelos menos entre os séculos 17 e 18 eram o Senegal, Gâmbia a Costa do Ouro e a Costa dos Escravos. O delta do Níger, o Congo e Angola serão grandes exportadores nos séculos 18 e 19. Quantos escravos foram afinal transportados pelo Atlântico? Há muita divergência entre os historiadores, alguns chegaram a projetar 50 milhões, mas R. Curtin (in The Atlantic slave trade: A census, 1969) estima entre 9 a 10 milhões, a metade deles da África Ocidental, sendo que o apogeu do tráfico ocorreu entre 1750 a 1820, quando os traficantes carregaram em média uns 60 mil por ano. O tráfico foi o principal responsável pelo vazio demográfico que acometeu a África no século 19.

África Negra

África Negra
(colonização, escravidão e independência)
Introdução


O Continente africano limita-se ao Norte pelo Mar Mediterrâneo, ao Oeste pelo Oceano Atlântico e ao Leste pelo Oceano Índico. De uma maneira simplificada podemos dividi-lo em duas zonas absolutamente distintas: o centro-norte é dominado pelo imenso deserto do Saara (8.600.000 de km2), enquanto que o centro-sul, depois de percorrer-se as savanas, é ocupado pela floresta tropical africana.

Esta separação geográfica também refletiu-se numa separação racial. No Norte do continente habitam os árabes, os egípcios, os berberes e os tuaregues (sendo que esse dois últimos são os que praticam o comércio transaarino). No centro-sul, ao contrário, habitam mais de 800 etnias negras africanas. Atribui-se ao atraso da África meridional ao isolamento geográfico que a população negra encontrou-se através dos séculos. Afastada do Mediterrâneo - grande centro cultural da Antigüidade - pelo deserto do Saara, e longe dos demais continentes pela dimensão colossal dos dois oceanos, o Atlântico e o Índico. Apartados do resto do mundo, os africanos se viram vítimas de expedições forâneas que lhes devoravam os filhos ao longo da história.

Mesmo antes da chegada dos traficantes de escravos europeus, os árabes já praticavam o comércio negreiro, transportando escravos para a Arábia e para os mercados do Mediterrâneo oriental, para satisfazer as exigências dos sultões e dos xeques. As guerras tribais africanas, por sua vez, favoreciam esse tipo de comércio, visto que a tribo derrotada era vendida aos mercadores.

Conhecendo o Norte da Africa

uarta-feira, 5 de agosto de 2009

Conhecendo o Norte da Africa


Este é o Norte da África, assunto que estudaremos no decorrer da apresentação. Nem todo local da Africa se encontra miseria como é bem conhecida na parte subsariana. Parte dela como no Norte, as pessoas vivem normalmente! Os paises mais conhecidos do norte da África é Libia (Libya) e o Egito (Egypt). Como costra na imagem ao lado. O Norte da África está situado acima da África subsariana, onde se localiza a parte mais "pobre" da África.

sábado, 1 de agosto de 2009

A História

Originalmente, grande parte da África do Norte era habitada por africanos de raça negra, como se pode demonstrar pela arte rupestre disseminada pelo Saara; o que não parece ter acontecido no Magrebe e Baixo Egito(a parte mais antiga e original da Civilização Egípcia, que logo se expandiria para a parte mais jovem ao Centro, na região de Tebas, e ao sul na região da Núbia), habitados por africanos de raça branca, que se expressariam através de línguas camito-semíticas. Em consequência da desertificação do Saara, grande parte da população negra migrou para o sul, através da costa oriental e ocidental (embora muitos impérios da antigüidade tenham capturado negróides como escravos aproveitando-se da fraca organização social abalada ainda mais pelas radicais mudanças climáticas e assimilando geneticamente, como comprovam vários exames genéticos no entorno do Mediterrâneo). Depois da Idade Média, a área esteve sob controle do otomano, exceptuando Marrocos. Depois do século XIX, o Norte de África foi colonizado pelo Império colonial francês, pelo Império britânico, Espanha e Itália. O intercâmbio entre o Norte de África e a África subsariana limitou-se, durante muito tempo, quase exclusivamente ao comércio entre as costas ocidental e oriental do continente e as viagens ao longo do Nilo, devido à dificuldade em atravessar o deserto. Assim foi até a expansão árabe islâmica.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

A EXPANSÃO DA GUERRA E AS RESISTÊNCIAS


"A autoridade do meu governo é discutida. As ordens são mal executadas. É preciso desde agora vencer a resistência de todos os adversários, dizimando seus chefes".
Domínios Britânico e Francês no norte da África
Esta frase foi dita por um herói francês da 1ª Guerra Mundial que acabava de se tornar o chefe do governo nazista da França ocupada pelos alemães: o Marechal Philippe Pétain. Antes de conquistar Paris, as tropas alemãs anexaram a Áustria e ocuparam Tchecoslováquia, Polônia, Dinamarca, Noruega, Bélgica, Holanda, Grécia e Iugoslávia; esta última, com o auxílio de tropas italianas, húngaras e búlgaras, integrantes do Eixo Roma-Berlim-Tóquio. Ao atacar também o norte da África, a Alemanha e a Itália estão atacando os impérios coloniais da França e da Grã-Bretanha. E após a ocupação da França, a Grã-Bretanha é o único país da Europa Ocidental ainda não atacado pelos alemães. Hitler decide iniciar a empreitada com o bombardeio aéreo de Londres. Como se constituíram as resistências nacionais ao avanço alemão e o engajamento nelas dos comunistas, para quem o nazi-fascismo passou a ser o inimigo prioritário?

sábado, 25 de julho de 2009

A Invasão

A invasão constituiu, também, em si mesma, uma demonstração tanto do poderio como das limitações dos aliados. Por um lado foi uma prova encorajadora da força crescente que lhes permitiu tomar a iniciativa e empreender uma operação defensiva contra o inimigo. Mas era uma operação com forças limitadas e num teatro secundário, onde, ao menos nas fases iniciais, se esperava apenas uma resistência de pouca monta. Era mesmo de duvidar que, ao invadir a África do Norte Francesa, encontrassem forças do Eixo. Por mais valioso que fosse esse teatro de guerra, a operação constituía, quando muito, um movimento preliminar. Significava a ocupação de um ponto estratégico de onde seriam lançadas outras operações. Em si mesmo não obrigava o Eixo a engajar-se numa operação decisiva, nem enfraquecia seriamente a potência militar da Alemanha e da Itália. Indiretamente podia ter este efeito obrigando o Eixo a dispersar suas forças por uma frente defensiva maior; mas permanecia o fato de que a operação constituía substituto menor do ataque à fortaleza européia, que era a única operação capaz de levar à vitória final, mas que os aliados ainda não estavam em condições de tentar.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Invasão Portuguesa das Costas Africanas


Portugal, pequeno pais localizado na extremidade sul do continente ibérico com limites de um lado pela Espanha e do outro pelo Oceano Atlântico, procurou na vastidão das águas alargar a sua civilização, povo irrequieto e bravo, de sangue mesclado de iberos, celticos e judeus, depois de séculos não se conteve no pequeno paralelogramo de terra que lhe restou com o Rei Dom Afonso Henrique e, por isso, procurou expandir-se, e dar ao mundo, novos mundos edificado pelo seu gênio civilizador.

Após terem realizado o contorno da terra negra, e batizado a sua costa, estudado as reentrâncias das baias, istmos e penínsulas, o rei determinou que fosse penetrado o interior do continente para ser desvendado os seus segredos e para submeter as nações que ali habitavam, para tal foi organizada uma poderosa armada sob o comando de Diogo Cão, fidalgo do rei que com uma grande numero de condenados que ali deveriam ser deixado, para entrar em contato com os habitantes locais e aprenderem a língua e seus costumes, a nação portuguesa exigia esse sacrifício dos já sacrificados que ganhavam a liberdade pelos serviços prestado à pátria e a religião! Em troca os condenados, deveriam ser levados para Portugal os negros que caíssem nas mãos dos invasores para que fossem educados e depois recambiados as suas origens, para facilitar a conquista do vasto império que se estendia por toda a bacia hidrográfica do rio Zaire. Diogo Cão, experimentado navegador português cumpriu galhardamente a missão recebida de seu rei, e regressou a Portugal levando em sua armada uma numerosa embaixada de negros, que foram escolhidos na corte congolense para serem instruídos na religião católica segundo os costumes da corte lusitana e para os quais foram dispensados todo o conforto material e moral que era possível a bordo do navio capitania de sua armada, e deste modo estava ganha a primeira batalha, que era a do domínio espiritual dos negros com aquela embaixada, da qual fazia parte o negro Caçula, herdeiro do reino do Congo.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Missões no Continente

Três coisas tornaram-se então necessárias. A primeira era informar os russos da mudança de perspectivas na frente ocidental. Uma prova de que os russos consideravam drásticas esta mudança de planos, é que Churchill considerou conveniente explicá-la pessoalmente a Stalin e conseguir dele a relutante aquiescência. A segunda era fixar o máximo de forças alemães na defesa da costa do canal da Mancha - tarefa para a qual o ataque a Dieppe representou importantíssima contribuição. A terceira era coordenar as operações no Egito com o projetado desembarque. Aqui também Churchill interveio diretamente a fim de incentivar os planos para um golpe decisivo contra Rommel, o que era uma parte essencial do novo plano. Foi como resultado das combinações para a próxima ofensiva no Egito que a data do desembarque na África foi combinada para fins de agosto, e não há maior reconhecimento da eficácia do plano britânico do que a forma por que foi realizada a invasão da África do Norte no momento mais favorável e como resultado da meticulosa execução do plano da ofensiva desde EI Alamein. As forças de Rommel haviam sido fixadas na defensiva, esmagadas num ataque frontal a suas posições fixas, e lançadas à fuga quando foi desferido o golpe, tudo isso de acordo com o horário estabelecido havia meses.

sábado, 11 de julho de 2009

A preparação do terreno!

Durante o intervalo foram tomadas medidas para preparar o terreno na África do Norte. As críticas sobre a continuação das relações dos Estados Unidos com a França de Vichy se haviam tornado mais agudas pelos continuados carregamentos de víveres para a África do Norte durante o período em que os países do Eixo retiravam todos os produtos das colônias francesas. Nem todas as críticas foram invalidadas pelos acontecimentos ulteriores; mas o fato dos funcionários consulares americanos atuarem como agentes distribuidores permitia-lhes operar nos principais centros e ter amplo contato com a população nativa e européia, A informação que reuniam esclarecia ultimamente a situação local e a possibilidade de encontrar elementos que apoiassem a invasão dentro das próprias colônias. Três semanas antes da data marcada para a invasão, foram tomadas medidas para estabelecer acordos definitivos com esses aliados potenciais. Uma missão americana chefiada pelo general Clark e acompanhada por comandos britânicos desembarcou secretamente na África do Norte e conferenciou com numerosos oficiais franceses, escapando por pouco de ser presa quando um criado árabe, desconfiando daquele grupo de estrangeiros, denunciou à polícia a presença dos mesmos. Foi uma experiência significativa, embora não completamente coroada de êxito, essa de empregar contra o próprio Eixo os seus métodos quinta-colunistas.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Escravidão na África

Escravidão na África: uma antiga forma de exploraçãoA escravidão esteve presente no continente africano muito antes do início do comércio de escravos com europeus na costa atlântica. Desde por volta de 700 d.C. , “prisioneiros capturados nas guerras santas que expandiram o Islã da Arábia pelo norte da África e através da região do Golfo Pérsico” eram vendidos e usados como escravos. Durante os três impérios medievais do norte da África (X - XV), o comércio de escravos foi largamente praticado . A escravidão foi a forma que árabes e europeus encontraram para explorar os povos africanos, que não tinham desenvolvido economias fortes nem tampouco armas que pudessem afastar invasores.Lovejoy apresenta o conceito de modo de produção escravista (de E. Terray) como fundamental para uma compreensão mais completa do funcionamento político, econômico e social da África - e também das colônias portuguesas nas Américas. Segundo sua definição, o modo de produção baseado na escravidão é aquele em que predominam a mão-de-obra escrava em setores essenciais da economia; a condição de escravo no mais baixo nível da hierarquia social; e a consolidação de uma infra-estrutura política e comercial que garanta a manutenção desse tipo de exploração.O modo de produção escravista não era comum na África. O povo africano foi historicamente explorado por esse sistema, implantado em regiões como a Europa e as Américas. Mas quando o tráfico foi extinto pelos europeus, no séc. XIX, para dar espaço a outro tipo de exploração de mão-de-obra, no sistema capitalista, a prática se estabeleceu no continente. Nas Américas, durante todo o período colonial, o modo de produção escravista foi predominante em plantations (grandes fazendas para o cultivo de produtos tropicais para a exportação), na mineração e na coleta de produtos silvestres.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Norte da África

O início do avanço britânico no Egito e o êxito de que foi coroado aumentaram as apreensões já manifestas pelo Eixo a respeito da situação das colônias francesas na África. Os aliados não haviam feito segredo de sua apreensão de que tais colônias caíssem em mãos do Eixo. Sua utilidade como segunda frente africana contra a posição do Eixo na Líbia era por demais evidente. O interesse americano era em particular demonstrado pela chegada durante o verão de tropas americanas à Libéria para estabelecer bases situadas a uma distância de ataque da África Ocidental Francesa. Nos primeiros dias de outubro a estação de rádio de Paris advertiu sobre "um desembarque de chamadas forças americanas de libertação", e um mês mais tarde Berlim repetia a advertência de que a África do Norte oferecia aos aliados um promissor teatro de operações. De modo geral, era o perigo potencial de Dakar que causava a ansiedade mais aguda. Os alemães faziam pressão sobre Vichy para que tomasse precauções extraordinárias contra o ataque, e a viagem de inspeção do almirante Darlan nos últimos dias de outubro foi um gesto destinado a advertir os aliados de que o referido ataque encontraria resistência imediata.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

África: a invasão européia - e o futuro?


Demorou muito tempo até que o mundo iniciasse uma profunda revisão das práticas colonialistas em África. Palco de centenas de conflitos armados atualmente, e tantos outros no passado, o "berço da humanidade" vive hoje num dilema: o da ajuda humanitária.
De fato, não são claros os efeitos da intevenção exterior nos problemas africanos; haveria tanta miséria e tanta pobreza se não tivesse havido o colonialismo? O que seria hoje se não tivesse existido o indirect rule no Continente?

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Colonização da África

Processo de ocupação territorial, exploração econômica e domínio político do continente africano por potências européias. Tem início no século XV e estende-se até a metade do século XX. Ligada à expansão marítima européia, a primeira fase do colonialismo africano surge da necessidade de encontrar rotas alternativas para o Oriente e novos mercados produtores e consumidores.

Portugueses
Iniciam o processo na primeira metade do século XV, estabelecendo feitorias, portos e enclaves no litoral oeste africano. Não existe nenhuma organização política nas colônias portuguesas, exceto em algumas áreas portuárias onde há tratados destinados a assegurar os direitos dos traficantes de escravos.

Ingleses
Estabelecem-se na litorânea Cidade do Cabo, na África do Sul, a partir de 1.652. Desenvolvem na região uma nova cultura e formam uma comunidade conhecida como africâner ou bôer. Mais tarde, os bôeres perdem o domínio da região para o Reino Unido na Guerra dos Bôeres.


PARTILHA DA ÁFRICA
No fim do século XIX e início do século XX, com a expansão do capitalismo industrial, começa o neocolonialismo no continente africano. Entre outras características, é marcado pelo aparecimento de novas potências concorrentes, como a Alemanha, a Bélgica e a Itália. A partir de 1880, a competição entre as metrópoles pelo domínio dos territórios africanos intensifica-se. A partilha da África tem início, de fato, com a Conferência de Berlim (1884), que institui normas para a ocupação. No início da I Guerra Mundial, 90% das terras já estão sob domínio da Europa. A partilha é feita de maneira arbitrária, não respeitando as características étnicas e culturais de cada povo, o que contribui para muitos dos conflitos atuais no continente africano. Os franceses instalam-se no noroeste, na região central e na ilha de Madagáscar. Os ingleses estabelecem territórios coloniais em alguns países da África Ocidental, no nordeste e no sul do continente. A Alemanha conquista as regiões correspondentes aos atuais Togo, Camarões, Tanzânia, Ruanda, Burundi e Namíbia. Portugal e Espanha conservam antigas colônias. Os portugueses continuam com Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Angola e Moçambique, enquanto os espanhóis mantêm as posses coloniais de parte do Marrocos e da Guiné Equatorial. A Bélgica fica com o Congo (ex-Zaire) e a Itália conquista a Líbia, a Eritréia e parte da Somália.