sexta-feira, 16 de julho de 2010

A ascensão do nazismo na Alemanha

A ascensão do nazismo na Alemanha

Nunca um acontecimento na história do século XX teve tanto impacto na elaboração tática do movimento socialista e comunista internacional quanto a ascensão dos nazistas ao poder na Alemanha, ocorrida em 30 de janeiro de 1933. Esta derrota estratégica do proletariado e das forças progressistas foi fruto mais dos erros da própria esquerda do que dos acertos de Hitler e seus asseclas. O esquerdismo e o reformismo predominantes no seio das duas principais correntes do movimento socialista internacional, que se organizavam na Internacional Comunista e na Internacional Operária e Socialista (social-democrata), foram co-responsáveis por uma catástrofe de impacto planetário que custou dezenas de milhões de vidas humanas. A experiência alemã constitui-se numa lição que jamais poderá ser esquecida.
Em 1928 o Partido Social Democrata obteve uma grande vitória eleitoral e formou um novo governo ao lado do Partido Popular e do Partido de Centro — católico, representantes da pequena-burguesia e da burguesia republicana alemã. O Partido Comunista também viu sua votação crescer. A grande derrotada foi a extrema-direita. A República democrática alemã parecia mais fortalecida do que nunca.
A Alemanha ensaiava uma retomada do desenvolvimento econômico e a superação das crises que a atingiam sucessivamente desde o final da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Esta situação criou um clima de otimismo entre parcelas importante dos trabalhadores. Mas este desenvolvimento era frágil e, em grande parte, sustentado pelos altos investimentos realizados pelo imperialismo norte-americano. Além disso quase toda sua produção era destinada para os mercados externos, particularmente para os Estados Unidos.
Apesar das aparências, a “paz social” e a democracia também não eram sólidas. Existia ainda cerca de 1 milhão e meio de desempregados. Isto era um fermento para a radicalização política. Neste clima o novo governo social-democrata resolveu proibir as comemorações públicas do primeiro de maio. Na Prússia, o chefe da polícia e dirigente social-democrata Zörgiebel, ordenou a repressão ao ato realizado pelos comunistas. O saldo foi 33 mortos e centenas de feridos. Um acontecimento que ajudou a aumentar o fosso entre socialistas e comunistas. Para os comunistas a social-democracia e o fascismo passaram a ser considerados, equivocadamente, “farinha do mesmo saco”.
A crise da Bolsa de Nova Iorque, iniciada em outubro de 1929, teve efeito catastrófico na Alemanha. De repente, cessou todo ingresso de capitais estrangeiros e as portas do comércio internacional foram abruptamente fechadas. A fragilidade da economia alemã ficava assim claramente demonstrada. Centenas de indústrias faliram e o índice de desemprego explodiu. No início de 1932 já existiam mais de 6 milhões de desempregados, o que representava cerca de 1/3 da força de trabalho.
Os grandes industriais queriam jogar o peso da crise nas costas dos trabalhadores e exigiram a diminuição de salários, o aumento da jornada de trabalho e a eliminação de direitos sociais. Uma das primeiras vítimas foi o ministro das Finanças, o economista social-democrata Hilferding, que foi destituído do cargo. O governo tentou fazer algumas concessões à grande burguesia, reduzindo as pensões dadas aos desempregados, mas encontrou resistência de sua própria base parlamentar e dos sindicatos. Em março de 1930 caiu o governo social-democrata. Melancolicamente ia chegando ao fim a República de Weimar, o curto período que vigorou plenamente a democracia parlamentar burguesa na Alemanha.
No lugar do social-democrata foi indicado um deputado do centro católico chamado Bruning. Não tendo maioria parlamentar, ele aproveitou-se de uma brecha na Constituição para governar através de decretos-leis. Dois meses depois de assumir o governo dissolveu o parlamento e convocou novas eleições para setembro de 1930.
O maior partido alemão continuava sendo o PSDA (social-democrata) que diante do novo governo conservador adotou uma “política de tolerância”, que significava não fazer oposição, desde de que o governo se mantivesse dentro da legalidade e numa posição de defesa da República. Afinal, segundo ela, um governo de Bruning seria melhor do que o governo de Hitler.
Os comunistas também conheceram um significativo crescimento durante este período de crise. Eles passaram de 54 deputados em 1928 para 77 em 1930. Em 1932 elegeram 100 deputados. O crescimento dos comunistas foi acompanhado de um declínio relativo da social-democracia. Cresceu enormemente o número de filiados ao PCA, a grande parte era formada de desempregados e de jovens proletários. O proletariado mais velho e que trabalhava nas grandes fábricas permaneceu sob a influência da social-democracia. Havia, assim, uma grave cisão na classe operária.
A euforia dos comunistas levou-os a não tirarem todas as lições dos resultados eleitorais. A novidade não era o crescimento do PCA, mas o crescimento da influência da extrema-direita nazi-fascista. Os nazistas tinham eleito apenas 12 deputados em 1928, no auge da recuperação econômica alemã e elegeram 107 em 1930. Nas eleições de julho de 1932 elegeram 230 deputados, ou seja, obtiveram bem mais que o dobro de votos que os comunistas.

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