sexta-feira, 16 de julho de 2010

O VI Congresso da Internacional Comunista e a teoria do social-fascismo

O VI Congresso da Internacional Comunista e a teoria do social-fascismo

O VI Congresso da Internacional Comunista se realizou em julho de 1928. Nele, predominou uma concepção sectária e estreita sobre a política de alianças. Abandonou-se, na prática, a política de Frente Única estabelecida nos congressos anteriores. Desautorizou o estabelecimento de acordos políticos com as direções dos partidos e sindicatos social-democratas. As alianças agora só poderiam se dar com as bases destas organizações.
Às vésperas da tomada do poder pelos nazistas, o principal dirigente do PCA Thaelman afirmou: “uma aliança entre o PCA e o PSDA é impossível não em virtude destes fatos como também por motivos de princípios”.
Continuou ele: “Nós comunistas, que rejeitamos fazer qualquer coisa de comum com os chefes do PSDA, tornamos a declarar que estamos, em qualquer tempo, dispostos a uma ação antifascista com os camaradas social-democratas da Reichbanner e com as organizações subordinadas que queiram lutar”.Na prática, o inimigo principal passou a ser a social-democracia. Já em 1924 Zinoviev, presidente da IC, chegou a definir a social-democracia como a “ala esquerda do fascismo”. O próprio Stálin chegou a afirmar: “a social-democracia é objetivamente a ala moderada do fascismo”. Em outro texto afirmou: “O fascismo e a social-democrata são, não inimigos, mas gêmeos”. O fato era que, historicamente, o fascismo não poderia se implantar sem destruir completamente a social-democracia. Os dois fenômenos eram, portanto, de natureza bastante distintas. A confusão quanto a isto contribuiria para a catástrofe que se seguiria.
Nas resoluções do VI Congresso podemos ler: “Segundo as exigências da conjuntura política a burguesia utiliza tanto métodos fascistas como as alianças com a social-democracia, no entanto não é estranho que esta, em particular em momentos críticos para o capitalismo, assuma feições fascistas. No transcurso de sua evolução a social-democracia revela tendências fascistas”.
A expressão social-fascismo adquiriu nova força após o massacre de primeiro de maio de 1929. Em julho de 1929, na X Plenária do Cominter, essa expressão apareceu oficialmente numa de suas resoluções. A XII Plenária, realizada em setembro de 1932, ainda superestimou a força da corrente revolucionária na Alemanha e subestimou o poderio nazista. Defendeu que a palavra de ordem dos comunistas deveria ser “Por uma Alemanha Socialista e Soviética!”. Nada dizia sobre a necessidade de constituir frente única com a social-democracia contra o nazismo e nem propugnava palavras de ordem de transição em defesa da democracia ameaçada.
A subestimação do significado da ditadura fascista pode ser aquilatada pelo discurso do dirigente e deputado comunista Remmele no Reichstag em 14 de outubro de 1931. Afirmou ele: “quando eles (os fascistas) estiverem no poder, a unidade da frente proletária será realizada e varrerá tudo”. Esta falsa idéia ainda seria mantida logo após a tomada do poder pelos nazistas.

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